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Síndrome de Burnout

Tem Tudo On Entrevista com David Braga
Publicado por temtudo-on
postado em08/08/2019 - 16:12
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Síndrome de Burnout

Tem Tudo On Entrevista com David Braga

A exaustão profissional chegou a patamares assustadores: estima-se que mais de 33 milhões de brasileiros enfrentem, atualmente, essa fadiga ocupacional reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como Síndrome de Burnout. Oficializada em meados de maio deste ano pelo órgão como uma síndrome crônica, ela vem sendo retratada como o “novo mau do século”.

Com esse cenário, outro tema vem à tona: é possível alcançar a tão estimada felicidade no trabalho, com uma rotina de tanta pressão? Como buscar este equilíbrio entre metas profissionais e satisfação na carreira?

As lideranças das corporações estão preparadas para apoiar suas equipes e trabalhar para minimizar os efeitos que o dia a dia pode acarretar, como estresse, apatia, nervosismo e insatisfação?

David Braga, CEO da Prime Talent – empresa de busca e seleção de executivos de média e alta gestão com escritórios em São Paulo e Belo Horizonte – repercute o cenário nesta entrevista. Confira!

Com mais de 33 milhões de brasileiros enfrentando problemas de fadiga ocupacional, ainda é possível acreditar em felicidade no trabalho? Por que?

Se você não está feliz onde está trabalhando, no mínimo seu dia será aterrorizante, afinal de contas, estar em um ambiente no mínimo 8 horas por dia, onde você não tenha o mínimo de prazer é um tanto quanto complexo. Nunca houve tantas profissões e quantidade de vagas cada vez mais reduzidas, até porque as empresas tem buscado seniorização. Estabilidade? “Que seja eterno enquanto dure”. Carteira assinada? Um item cada vez menos visto nas empresas, uma vez que a relação de trabalho tem mudado e mudará no mesmo ritmo acelerado das novas tecnologias e novos contextos.

Com taxas de desemprego na casa dos 12,4% só no 1º trimestre de 2019, as empresas aumentam a cobrança por resultados e os trabalhadores sentem a pressão de que outros profissionais tão, ou melhor capacitados, estão disponíveis no mercado para ocupar a vaga. Por outro lado, um estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) de 2018 mostra que 44,2% dos jovens graduados não trabalham na área. Será que o problema não está começando lá atrás, na hora de escolher a formação acadêmica? É um ponto a se refletir.

É possível sim, ser feliz no que se faz! Mas é preciso entender que felicidade não é trabalhar pouco. É ser desafiado, enfrentar problemas, se exposto a diversas situações que trarão maturidade emocional e profissional, lhe tornando um profissional melhor. Percebo que ainda exista uma visão distorcida do que é ser feliz no trabalho, para muitos profissionais.

O que é primordial para que o profissional não chegue à estafa ocupacional?

É necessário buscar antes de qualquer questão, o autoconhecimento, pois através dele, é possível entender quais são os seus gaps, potencialidades, sobretudo, se aquela empresa proporciona um ambiente onde você está sendo desafiado dentro dos limites controlados e não um ambiente que te coloca em uma zona de pânico. Ao estar nesta zona, você vai errar mais, ser menos produtivo, entregando menos resultados e consequentemente, se tornará menos atrativo para a empresa em que trabalha. Ao se entender melhor é possível dizer o que você quer e o que não quer.

Uma das formas de prevenir o desgaste é dedicar um tempo a si mesmo. Horas excessivas de trabalho nunca foram e nunca serão saudáveis. Buscar o equilíbrio, gerir melhor o seu tempo, delegar e saber dizer não para algumas demandas são algumas das várias ações que podem evitar o esgotamento. E estar atento é primordial, pois as consequências, segundo os especialistas, não são imediatas, uma vez que os danos aparecem depois de cinco ou até oito anos.

O equilíbrio entre metas profissionais e satisfação na carreira é um objetivo a ser buscado pelo profissional, ou a liderança também tem sua cota de responsabilidade para esse balanceamento?

Cada qual precisa estar atento ao equilíbrio, uma vez que cada vez mais os profissionais estão em busca de empresas que proporcionam desafios interessantes profissionalmente, mas que também tenham tempo para a vida pessoal e espiritual. Sem este balanceamento, torna-se inviável ter um ser humano completo. Foi-se o tempo em que a dedicação era full para a organização. Até mesmo as lideranças precisam estar atentas a este ponto, afinal, se elas entrarem em um estágio de Burnout, impactará toda a equipe, uma vez que tornará o ambiente corporativo mais tóxico.

Até mesmo o ócio por ser criativo! Tirar um tempo para outros âmbitos de sua vida nas demais esferas, como pessoal e espiritual, por exemplo, amplia a sua mente, networking e com certeza trará mais satisfação.

As lideranças das corporações estão preparadas para apoiar suas equipes e trabalhar para minimizar os efeitos que a rotina pode acarretar, como estresse, apatia, nervosismo e insatisfação? O que é possível ser empregado (quais ações)?

Infelizmente, nem sempre a área de Recursos Humanos ou mesmo as lideranças estão preparadas para minimizar os impactos negativos do ambiente de trabalho, quando tratamos de questões que acarretam o Burnout por exemplo. Evidentemente as empresas mais estratégicas estão muito atentas aos líderes que fazem a diferença, sobretudo, na gestão e entendimento sobre pessoas. Afinal, por mais tecnológica que seja uma organização é através das pessoas que se obtém os resultados almejados, logo, se as pessoas não estão sendo cuidadas adequadamente, quem entregará os resultados corporativos?

O ser humano por si só precisa ter metas e objetivos claros, para direcionar suas ações do dia a dia, todavia, elas precisam ser factíveis e entregáveis. É comum ver empresas e lideranças definindo metas inalcançáveis, o que vai impactar não apenas no curto, mas também no médio e longo prazos. O mais estratégico é colocar o profissional na zona de stretching, ou seja, nem na zona de conforto, nem tão pouco na zona de pânico. É nesta zona onde o profissional será desafiado e manterá seu nível de engajamento, satisfação, felicidade e entrega de seus resultados.

De que maneira as organizações podem contribuir, ou atuar, para evitar que seus colaboradores sejam acometidos por doenças relativas à estafa ocupacional, como a Síndrome de Burnout?

Possuir um departamento voltado para saúde e segurança do trabalhador é diferencial na luta contra o esgotamento físico e psicológico dos colaboradores. Ao mesmo tempo é preciso criar programas para que os colaboradores sejam ouvidos, percebidos e motivados. E aqui é preciso lembrar que cada qual motiva-se por um meio. O clima organizacional está muito conectado com a satisfação no ambiente de trabalho e na entrega de resultados. Líderes que assediam moralmente os profissionais, por exemplo, são responsáveis por ambientes tóxicos e mais propensos a ter colaboradores com Síndrome de Burnout.

Fadiga profissional é sinal de que é hora de mudar de emprego ou profissão? Há sinais ou limites para não chegar a esse ponto?

Geralmente é possível notar quando uma pessoa está estressada além da conta no trabalho. É preciso observar se há exagero no uso de estimulantes, como café, refrigerante e cigarro, por exemplo. O uso de álcool pode aumentar, como forma de relaxamento momentâneo, quando começam, inclusive, os vícios.

O sintoma típico da Síndrome de Burnout é a sensação de esgotamento físico e emocional que se reflete em atitudes negativas como agressividade, irritabilidade, insônia, pressão alta, dores musculares, dificuldade de concentração, depressão, lapsos de memória, baixa autoestima, pessimismo, isolamento, absenteísmo, dentre outros sinais.

Incentivar pausas durante a rotina de trabalho pode evitar a exaustão diária? O que fazer e como inserir essa prática nas organizações?

A Síndrome de Burnout pode afetar qualquer profissão e posição hierárquica. Os grandes candidatos a desenvolver o problema são os famosos workaholics, aquelas pessoas que vivem para o trabalho e possuem níveis de exigência muito altos, sendo perfeccionistas. Raramente são os mesmos profissionais que não conseguem delegar tarefas para seus liderados.

As empresas mais estratégicas tem utilizado da técnica de mindfulness (técnica de meditação milenar que foi especialmente adaptada para o treinamento de grupos corporativos) para reduzir os níveis de estresse dos funcionários. Especialistas acreditam que problemas como irritabilidade, ansiedade e depressão são minimizados com a prática da meditação. Tal técnica tende a favorecer as emoções positivas e reduzir as negativas, como raiva e depressão, além de melhorar a memória e as habilidades de atenção, contribuindo para a nossa empatia e compaixão pelo outro. Empresas de variados setores como Google, 3M, Mead Johnson Nutrition, Facebook, Apple Goldman Sachs, Intel e outras já tem utilizado do mindfulness para melhorar a qualidade de trabalho dos colaboradores.

É possível evitar o Burnout?

A melhor forma de prevenir a síndrome de burnout é adotar estratégias que diminuam o estresse e a pressão no trabalho. Buscar uma vida mais saudável evita o desenvolvimento da doença, assim como ajuda a tratar sinais e sintomas logo no início. Mudar seu estilo de vida desde já, pode ser uma boa solução. Em meio à correria do dia a dia do mundo corporativo, muitos profissionais reclamam do alto nível de estresse a qual estão expostos. Então, sugiro algumas dicas para diminuir essa sensação de estafa:

Respire - O estresse causa aumento do ritmo cardíaco. Inspire profunda e lentamente pelo nariz e expire pela boca para reduzir a pressão sanguínea e acalmar a mente;


Abrace - Há comprovação científica de que um simples e sincero abraço promove a sensação de acolhimento e bem estar e libera no corpo a ocitocina, hormônio que ajuda a relaxar, aumentar a confiança e ter mais compaixão;


Exercite - Pratique pelo menos 3x por semana alguma atividade física como yoga, caminhada, dança, musculação dentre outras. E não se esqueça de uma boa alimentação!


Conheça seus Limites - Entenda o que é esperado de você (na vida profissional e pessoal) e em qual prazo precisa fazer suas entregas. Se necessário, negocie uma nova data ou o que precisa para fazer suas entregas com a máxima qualidade pré-acordada. Gestão do tempo e de recursos são essenciais para prevenir seu estresse;


Evite o contato com pessoas negativas, especialmente aquelas que reclamam do trabalho ou dos outros;


Descanse adequadamente com boa noite de sono (pelo menos 8h diárias).


_________________________

*David Braga é CEO, Board Advisor e Headhunter da Prime Talent (empresa de busca e seleção de executivos de média e alta gestão, que atua em todos os setores da economia na América Latina, com escritórios em São Paulo e Belo Horizonte). Ao longo de sua carreira, já avaliou mais de 6 mil executivos de alta gestão, selecionando para clientes Latam. David é colunista da BandNews FM, tem formação de Conselheiro de Administração pela Fundação Dom Cabral (FDC), possui certificação de Executive Coach pela International Association of Coaching e é practitioner em Micro Expressões e Programação Neurolinguística. O executivo tem vivência internacional em Trinidad and Tobago, Londres, África e Estados Unidos.

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